Terça-feira, 11 de Março de 2008

Desenvolvimento sustentável

No passado dia 21 de Fevereiro foi realizada uma palestra na nossa escola, pelo Dr. Paulino Costa, que tinha como tema principal o desenvolvimento sustentável na nossa ilha. Esta palestra foi extremamente interessante, dada a interacção alunos-palestrante.

O Dr. Paulino Costa iniciou esta palestra distinguindo áreas protegidas, áreas em que utilizam os recursos de forma sustentável para que possamos extrair algo de benéfico para nós, e áreas classificadas.

O ordenamento do território e a conservação da Natureza são dois parâmetros importantes para que possamos desenvolver a sustentabilidade da nossa ilha, ou seja, atender às necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras satisfaçam as suas próprias necessidades.

Assim sendo, devemos ter em conta toda uma rede de elementos tais como: biodiversidade, paisagem, geodiversidade, património histórico-cultural e habitats, de forma a estabelecer uma relação de harmonia entre Homem - Natureza.

            Na nossa ilha apenas a nossa Montanha e a gruta das Torres são entendidas com áreas protegidas, todas as outras são áreas classificadas. Contudo, e para facilitar a definição das várias zonas, já se realizaram várias propostas para a realização de um parque natural para a nossa ilha. Estas propostas irão ser enviadas para a secretaria regional para que possam ser estudadas para então se decidir qual, de todas as propostas, será a melhor. Para a realização deste projecto é necessário submeter-se todas estas áreas constituintes da nossa ilha, a um plano de ordenamento de território que deve ser bem elaborado, pois permite a compatibilização entre os recursos que possuímos e os que temos de utilizar. Assim sendo a população pode e deve participar neste projecto.

             A nossa bela montanha, as nossas paisagens únicas, o cedro, que constitui um dos símbolos emblemáticos da nossa ilha, e o morcego, que é o único mamífero endémico dos Açores, são os recursos que mais merecem a nossa atenção. Devemos assim desenvolver um turismo de natureza, isto é, um turismo que consiste numa actividade a desenvolver em áreas protegidas com vista a conciliar a preservação dos valores naturais e culturais com o desenvolvimento de uma actividade turística sustentada. Desta actividade devem fazer parte os trilhos, fazendo-se um ordenamento para então se poderem definir zonas menos sensíveis onde as pessoas possam passar.

            A compatibilização dos nossos recursos deve ser feita tendo em conta vários aspectos tais como conservação e valorização do nosso património, desenvolvimento social e económico, preservação e melhoramento da qualidade de vida dos habitats locais e gestão dos fluxos de visitantes e aumento da qualidade da oferta turística (deve haver uma relação entre as empresas turísticas e os visitantes de forma a utilizar o nosso ambiente de forma racional, minimizando ao máximos os impactos ambientais).

            Deste turismo de natureza fazem parte a geodiversidade/geoturismo; biodiversidade, paisagem, cultura e desporto de natureza.

            Relativamente a geodiversidade/geoturismo fazem parte campos de lava, cavidades vulcânicas, fajãs, vulcões submarinos e sub-aéreas. Como exemplo deste tipo de turismo temos o exemplo da gruta das torres que foi aberta ao público a 24 de Maio de 2005. Esta foi classificada como monumento natural regional e apresenta uma área de 65,2 hectares.

            Quanto a biodiversidade (fauna e flora endémica) temos bons exemplos, como observação de cetáceos (whale watching), observação de aves (bird watching) e recursos pedestres.

            Da paisagem possuímos dois grandes destaques: a montanha do pico e a cultura da vinha. Assim podemos subir a montanha, experimentar o enoturismo e realizar percursos temáticos. Podemos constatar que existe assim uma interligação dos aspectos biológicos geológicos e culturais.

            Relativamente à cultura deve existir uma relação entre o homem e a natureza. Desta fazem parte a gastronomia, tradições, religiosidade e o artesanato.

            Por fim temos o desporto de natureza que inclui o rappel, a escalada, orientação e BTT.

            É imperativo fomentar um desenvolvimento sustentável que satisfaça as necessidades Humanas sem comprometer a conservação da Natureza.

 

                                              

 

publicado por futurodirasbaleia às 14:15
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Entrevista ao Sr. Engenheiro Cláudio Lopes

Grupo - Qual é a sua opinião sobre o estado actual da nossa vila?

Cláudio Lopes - A vila das Lajes do Pico é, antes de mais, a primeira vila da ilha. Já tem mais de 500 anos de povoamento. O alvará da constituição da vila data de Maio de 1501, portanto foi a única vila da ilha durante muitos anos. Só passados mais de 100 anos é que apareceu a vila de S. Roque e, mais de 200 anos depois a vila da Madalena.

            Como aqui se deu o primeiro povoamento da ilha do Pico, a vila ganhou uma importância social, económica e cultural, durante muitas centenas de anos.

            Obviamente que depois, à medida que as outras vilas iam aparecendo, outros concelhos iam-se criando e as populações foram-se distribuindo ao longo da ilha, fixando-se na terra.

            Tivemos ao longo da nossa história períodos de sismos e terramotos, bem como de actividades vulcânicas da Montanha do Pico, que afectou algumas populações, nomeadamente na zona de São João, Silveira e São Caetano, o que fez com que algumas populações mudassem de residência. Nestes períodos surgiram as populações das Terras, da Almagreira, que foram fixadas por pessoas que estavam a viver em São João e São Caetano.

            A vila assumiu durante muito tempo, nesta ilha, uma predominância em termos económicos, devido às indústrias importantes que nela se fixaram, como a fábrica do peixe e a fábrica da baleia. Esta última foi marcante para esta população, pois a actividade baleeira foi uma actividade que sustentou inúmeras famílias por vários anos. Esta, no entanto, por via das novas regras da União Europeia e no âmbito da preservação de espécies animais, foi proibida e, portanto, a actividade baleeira deixou de existir na vila das Lajes.

            Após o ciclo da baleação apareceu uma nova actividade económica, o “Whale Watching”. Esta actividade turística foi uma forma que a vila e o Concelho das Lajes encontrou para ultrapassar a crise instalada pelo fim da caça à baleia, visto que esta, para além de preservar o ambiente e animais como o Cachalote, transformou-se numa actividade económica da qual as pessoas podem tirar rendimentos. Ao surgirem empresas de “Whale Watching”, consequentemente, novos postos de trabalho apareceram. Esta nova actividade proporcionou à nossa vila um grande desenvolvimento a nível económico/turístico. Assim sendo, a nossa ilha é conhecida pelos vários cartazes turísticos como um local de observação de baleias.

Contudo, a nossa vila perdeu algum peso económico, a nível ilha, a favor do Concelho da Madalena, pois na Madalena têm-se instalado inúmeras infra-estruturas relevantes para o seu desenvolvimento.

Com isto quero dizer que a vila tem uma carga histórica e cultural muito mais forte do que as outras vilas da ilha, para além de, em termos urbanísticos, ser uma vila que tem uma praça e uma malha urbana com muitas características de vila.

 

Agora, partindo um pouco para uma visão e um desenvolvimento de futuro, acho que esta vila, este Concelho, o seu futuro passa fundamentalmente pela actividade turística. Se bem que o turismo que podemos desenvolver aqui, atendendo às nossas condições climáticas e humanas na região, não pode ser um turismo de praias, nem de Sol, porque não o temos, nem nos interessa que seja um turismo de massas. Um turismo que venha cá muita gente é problemático, pois não temos espaço. Portanto, para nós preservarmos toda esta nossa riqueza ambiental e todo o nosso património natural, temos que envergar para um turismo que respeita a Natureza, que gosta das áreas ambientais, que gosta da cultura, que gosta de conhecer a realidade social da nossa Terra, ou seja, um turismo de qualidade e de excelência.

Um turismo que podemos e devemos desenvolver, além da observação de baleias, é o turismo de golfe. Aliás, existem projectos de futuro para construir um campo de golfe aqui na vila. Portanto há também...

Grupo – Desculpe a interrupção…

Cláudio Lopes - Sim?

Grupo – Onde estão a pensar construir o campo de golfe?

Cláudio Lopes - No Mistério da Silveira e, posso-vos garantir, que hoje há empresários interessados em construir o campo de golfe. Este será uma mais valia para o nosso Concelho e para a nossa vila, porque turismo de golfe é um turismo que traz gente de muitas posses, portanto gente que tem um certo nível cultural e académico e, portanto, têm muito poder económico e podem deixar-nos boas receitas.

            Uma outra área que podíamos também desenvolver mais era, por exemplo, os passeios a pé, portanto, os trilhos, contacto com a natureza, a observação de aves e plantas exóticas. Muita gente, portuguesa e estrangeira, procura este tipo de turismo e penso que temos aqui uma riqueza natural, quer do ponto de vista da fauna, quer da flora, muito diferente e muito interessante!

            Em termos gerais, acho que temos de preparar a vila e o seu desenvolvimento na vertente do turismo. Esse turismo deve ser temático, ou seja, organizado por temas. Já temos um tema muito forte – a baleação. Outro tema que ainda não está no terreno, mas que vem a caminho se Deus quiser, é o campo de golfe. Temos também a nossa cultura e a nossa história e não nos podemos esquecer do cartaz muito forte que é o Museu do Baleeiros, pois é um ponto muito atractivo na nossa vila. Aliás este museu é, dos museus temáticos dos Açores, o mais visitado, portanto é uma mais valia que temos no nosso meio. Temos também uma vasta riqueza histórica: a ermida de S. Pedro, primeira ermida da nossa ilha; o convento de S. Francisco, construído pela ordem dos Franciscanos; o Forte de Santa Catarina, que é o único forte da ilha, que teve a sua função no tempo de guerra e que hoje está restaurado como posto de turismo; a antiga fábrica da Baleia que representa o ciclo económico da nossa gente.

            Portanto, temos aqui um conjunto de mais-valias, tudo numa área relativamente pequena e em volta da vila que dão um potencial muito forte de desenvolvimento e de aproveitamento turístico e, por outro lado, acho que, realmente, o turismo pode ser uma actividade económica importante a desenvolver na nossa ilha, uma actividade que pode contribuir para a fixação de jovens, para criar mais empregos, para fixar os jovens nas nossas terras, que este é um grande problema da nossa ilha e de algumas ilhas pequenas, que é a incapacidade que ainda temos actualmente de fixar jovens e nós devíamos ter essa capacidade de fixar jovens que se estão a formar e que tiram os seus cursos.

Grupo (Leila) - Também tem de ter em conta que, por exemplo, há muita gente que vai para cursos ligados à saúde. Por exemplo, eu gostaria de seguir anatomia patológica, citológica e tanatológica e sei que aqui não posso adquirir emprego!

Cláudio Lopes – Pois, é uma “especificidade muito específica”.

            Agora, por exemplo, há todo um conjunto de serviços ligados à actividade turística que passa também pelos domínios da saúde, porque os turistas de grande poder económico quando vão para uma terra gostam muito de ir seguros em relação às unidades de saúde da ilha se tem sistemas de saúde de evacuação e de tratamento como deve ser e, portanto, é preciso também existir preocupação com esses níveis, não só para quem vive aqui todo o ano, como também para os turistas.

            Portanto, os governantes regionais e locais têm também de criar condições para a fixação de jovens que vêm com formações em determinadas áreas e que podem muito contribuir para o desenvolvimento da sua terra e é isso que estamos a precisar, gente nova que se fixe na nossa terra (isto é um dos grandes problemas da vila das Lajes, é um grande problema da ilha do Pico e é um dos problemas das ilhas pequenas dos Açores). Aliás, nós estamos não só a perder os nossos jovens que vão lá para fora estudar e raramente regressam, como estamos a ter taxas de natalidade relativamente baixas e taxas de envelhecimento muito elevadas. Estamos a ficar com uma população muito envelhecida com poucos jovens e com pouca gente no seu total, o que é um enorme problema. E depois, vocês sabem que o desenvolvimento económico também acontece quando há gente, quando há mercado, quando há clientes e depois isto é tudo um efeito “bola de neve”: não há pessoas, não se podem fazer certas coisas, para fazer certas coisas é necessário ter viabilidade; tem que haver quem compre e quem vende e quem dê a utilização das infra-estruturas, e, portanto, acho que, na base, tem que haver aqui ocupações de políticas muito fortes de fixar jovens aqui nas nossas terras…

            Portanto, em termos de estado actual da nossa vila e o do Concelho, acho que nós estamos nos últimos anos a construir uma séria de infra-estruturas básicas que são fundamentais para o desenvolvimento económico, como uma boa rede de águas, para a electricidade, também temos boa qualidade de energia e temos vias de comunicação igualmente boas. Acho que o ciclo dessas infra-estruturas básicas está cumprido. Agora é preciso que, por exemplo, daqui para a frente as Câmaras e o Governo Regional tenham essa preocupação de ajudar o desenvolvimento económico, porque este é que vai criar postos de trabalho e que vai poder fixar pessoas através destes, porque dois factores fundamentais para que os jovens possam fixar numa terra são: ter um emprego de alguma estabilidade e ter uma habitação própria condigna, o que são condições básicas. E é isso que acho que tem que haver uma certa preocupação de futuro.

            De resto o Concelho também não pode esquecer uma das suas actividades mais importantes e fundamentais que é a agricultura. A agricultura não só tem que ser cuidada nas suas vertentes de produção de leite e da carne, mas também como uma actividade que pode dar contributo para a actividade turística, ou seja, é importante que a oferta turística do nosso Concelho integre o contacto desses turistas com o nosso meio rural, com os nossos agricultores, que gostam muito de ir ao mato, ver ordenhar uma vaca, gostam de ver as pessoas a cuidar dos animais, dar silagem. Essa diferença, essa oferta diferente que não vêem em nenhuma outra parte do mundo, aqui podem ver. Ver vaquinhas a pastar na berma da estrada são situações, para eles, raras que os atraem muito para vir cá. Assim, também na actividade da pesca em que muitos turistas  gostam de ir com os pescadores tradicionais da terra ao mar para ver os métodos artesanais que temos cá, portanto todas essas actividades que são do sector primário, como a agricultura e a pesca, podem contribuir como oferta para a actividade turística. O que é preciso fazer é ter um conjunto de camas disponíveis aqui nas Lajes… já temos algumas coisas, temos algumas residenciais, já temos um hotel, que é a Aldeia da Fonte, vem a caminho mais um novo hotel que irá ser feito na Silveira, e, portanto, é preciso ter camas para os turistas, mas, sobretudo, é preciso organizar pacotes de animação, e então, com o tempo que costumamos ter nas nossas ilhas não há garantia de fazer todos os dias sol, temos que criar pacotes organizados para o exterior, mas também para o interior, porque se os turistas não tiverem oportunidade de ir para o campo podem estar sob coberto a fazer alguma coisa, podem ver museus, podem contactar com a parte cultural aqui no Concelho que é muito rica, por exemplo, salões, contactar com grupos corais, grupos folclóricos, teatro e outro tipo de manifestações culturais de que o Concelho das Lajes também faz diferença em relação aos outros Concelhos, há muito ambiente cultural, há muitas iniciativas culturais, muitas organizações, muitas irmandades do Espírito Santo, muitas manifestações religiosas e profanas. Portanto tudo isso tem de fazer parte da nossa oferta turística e, sobretudo, porque é uma oferta diferente da que esses turistas vão encontrar noutros meios.

 

Grupo – Num intervalo de 50 anos, como imagina a nossa vila no futuro?

Cláudio Lopes – Bem, é muito difícil prever o futuro e sobretudo da forma acelerada como o desenvolvimento se tem dado, nós não conseguimos imaginar o que a tecnologia nos irá oferecer daqui a 50 anos.

            Vocês, por exemplo, agora estão a gravar esta entrevista através de um aparelho tão pequenino que há 50 anos atrás ninguém pensaria que pudesse existir, ou eu posso falar com a minha mulher que está lá fora na rua e aqui falando calmamente com o telemóvel, portanto não sabemos o que daqui a 50 anos poderemos ter em seguida tecnologicamente.

            Agora em termos de pensamento político, presumidamente, aqui a nossa vila, quais seriam as minhas expectativas, que era de que esta vila realmente, depois desta remodelação de redes de água e de esgotos e de tudo isso, fosse feito um arranjo urbanístico de toda a vila

, para se tornar uma vila com características interessantes, mais acolhedora, que tivesse mais serviços públicos e privados. Aqui nos serviços privados, acho que se tem de avançar com serviços na área da cultura e do turismo, portanto, lojas de artesanato e bares e, consequentemente, um ambiente de mais animação e de oferta turística. Assim sendo, uma vila virada para os serviços, portanto, que tenha organismos públicos, os quais as pessoas possam vir diariamente à vila trabalhar e à noite ter uma certa actividade nocturna, uma tal componente de animação, restaurantes, bases à nossa cultura a estar a nesses espaços animar a noite e, portanto, prevejo que esta seja uma vila com ambiente cultural e turístico. Temos, além disso, em curso o projecto do porto recreio que não só poderá trazer outro tipo de turistas, que poderão dinamizar e dar vida à vila, através de barcos e iates de recreio, como também transformar a vila quer em termos sociais, quer em termos económicos.

            Por fim, ao meu ver, prevejo que a vila das Lajes no futuro seja uma vila de serviços, onde as pessoas possam trabalhar durante o dia e se divertir em animações nocturnas, e uma vila de turismo com espaços de visita, como museus e casas de artesanatos.
publicado por futurodirasbaleia às 13:52
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