Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

Entrevista dirigida à professora Ana Jorge

      

     Esta entrevista foi realizada à professora Ana Jorge, que, para além de ser professora de Geografia no nosso estabelecimento de ensino, é também presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens das Lajes do Pico. Com esta entrevista pretendemos adquirir informações sobre a nossa Vila a nível ambiental, social e cultural para que nos seja mais fácil a realização do diagnóstico das Lajes do Pico e a visualização do seu futuro.

 

 

Professora Ana Jorge - Antes de mais quando dizem “assuntos ambientais” penso que devem englobar aspectos demográficos, sociais, económicos, turísticos e ambientais, porque esta é a minha perspectiva do ambiente.

    O ambiente é importante, mas uma das minhas preocupações principais é a redução da população jovem e a consequente perda demográfica, pois a nossa população está cada vez mais envelhecida. O processo de envelhecimento no núcleo urbano da nossa Vila é nítido, não só pelo facto de existir pouca população jovem, como também pelo facto de os jovens saírem para irem estudar e não voltarem para cá e por outros factores que se relacionam com a capacidade atractiva desta área do concelho.

O nosso concelho, tem cerca de 4800 habitantes, número que, provavelmente, tenderá a diminuir nos próximos 10 ou 20 anos. Encontrar medidas / soluções para incentivar o rejuvenescimento da população julgo que deverá constituir uma das principais preocupações para os políticos e políticas locais e regionais.

Fazer uma análise do futuro obriga a pensar também naquilo que são as características presentes e futuras do tecido produtivo da ilha e do concelho. O turismo constitui uma das grandes apostas, no entanto, é importante referir que, na nossa Vila, o turismo é essencialmente sazonal, ou seja, apenas nos meses de Junho, Julho,  Agosto e Setembro  há um maior fluxo turístico, atingindo assim o seu auge. Também é de notar que a rede de transportes que sustenta esta mobilidade turística não favorece sobremaneira o Pico.

    O sector primário, a agricultura e a pecuária, constituem a base da economia do nosso Concelho. Futuramente, tal como agora, os nossos produtores de carne e de leite estarão muito dependentes das decisões da União Europeia.

 

Grupo - Que perspectivas tem para o nosso futuro ambiental?

 

Professora Ana Jorge - Espero que as pessoas tomem mais consciência colectiva a nível ambiental, o que já começamos a notar, e deviam-se tomar medidas vincadas para reduzir os resíduos sólidos – urbanos, industriais, electrónicos. O problema dos resíduos é, no meu ponto de vista, bastante actual podendo assumir contornos bem mais preocupantes num espaço como o nosso por se tratar de uma ilha - um sistema fechado. Penso que será um dos aspectos que vocês deverão investigar com maior pormenor junto dos responsáveis.

 

Grupo - Qual a situação actual da protecção de crianças e jovens no nosso concelho?

 

Professora Ana Jorge - Julgo que cada vez mais há uma maior divulgação da importância de todos nós protegermos as nossas crianças e jovens. Para isso é importante o papel das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens.

    No futuro poderá haver um maior número de denúncias, o que não quer dizer que haja um maior número de problemas, poderá significar simplesmente uma maior sensibilidade de todos face a esta matéria. Daí que o papel das Comissões ao nível da prevenção primária seja de facto aquele em que se deve investir mais vincadamente se queremos ter resultados a longo prazo, como aquele que vocês perspectivam. Porém, não é só a protecção de crianças e jovens que me preocupa, preocupa-me também a protecção dos idosos que em determinada altura da sua vida se revelam pessoas muito frágeis e por vezes mais isoladas da sociedade.

 

Grupo - Considera que num espaço de 50 anos vão existir mais jovens para proteger? Como pensa que esta situação vai evoluir?

 

Professora Ana Jorge - Mais do que jovens, penso que, futuramente, irá existir maior necessidade de protecção de idosos devido à tendência que a nossa sociedade tem para o envelhecimento da população. O meu lema é “protegermo-nos uns aos outros” e como tal devemos proteger crianças e idosos.

    Noto que os adultos estão a adquirir uma maior capacidade de se protegerem e de protegerem os outros, pois todos somos cidadãos e, como tal, temos de cumprir os nossos deveres e, quando me refiro à protecção da população, o mesmo se passa em relação ao ambiente, pois todos temos o direito de viver num ambiente saudável e o dever de protegê-lo.

 

    Vocês não me perguntaram sobre o ponto de vista arquitectónico da nossa Vila, o que é necessário referir.

    A reconstrução melhorou em grande parte edifícios da nossa Vila após o sismo de 1998, já que este afectou inúmeros imóveis promovendo assim a sua renovação.

    Há aspectos arquitectónicos que são de carácter único na Vila das Lajes, justificados essencialmente pela história que interessa destacar no contexto da ilha e como elementos da nossa identidade patrimonial.

publicado por futurodirasbaleia às 13:58
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